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Aviação Comercial

Iata pede que governos trabalhem juntos para restabelecer conectividade


Iata pede que governos trabalhem juntos para restabelecer conectividade

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) pede aos governos que trabalhem juntos para encontrar urgentemente maneiras de restabelecer a conectividade global, reabrindo fronteiras, e continuar com as medidas de auxílio para apoiar as companhias aéreas durante a crise da Covid-19. Em julho, o tráfego total foi 79,8% abaixo do que no mesmo período de 2019, enquanto o tráfego internacional teve queda de 91,9%.

“O apelo reflete a profunda frustração da indústria, pois as políticas governamentais, como fechamento de fronteiras, restrições de viagens e quarentenas, continuam a aniquilar a demanda por viagens. Isso ficou evidente em uma decepcionante “temporada de viagens de verão (no hemisfério norte)”, que apresentou melhorias mínimas em comparação com o período de maio a junho, já que quatro em cada cinco viajantes potenciais evitaram viajar, com base em comparações com o período do ano anterior”, informou a Iata.

A Iata pede aos governos que compreendam a gravidade da crise que o setor aéreo enfrenta e suas consequências para os seus cidadãos; e apela aos governos para darem atenção a estas questões-chave: reabertura de fronteiras; medidas de alívio contínuas; e liderança global.

“Proteger seus cidadãos deve ser a principal prioridade dos governos. Mas muitos governos estão lutando contra uma pandemia global isoladamente, com a visão de que o fechamento das fronteiras é a única solução. É hora de os governos trabalharem juntos para implementar medidas que permitirão a retomada da vida econômica e social, enquanto controlam a propagação do vírus”, disse Alexandre de Juniac, CEO da Iata.

Reabertura de Fronteiras

“As companhias aéreas estão praticamente paradas há seis meses. E a situação não está melhorando. Na verdade, em muitos casos, ela está indo na direção oposta. Vemos governos substituindo o fechamento de fronteiras por quarentena para passageiros aéreos. Nenhuma das duas medidas retomará viagens ou empregos. Pior, os governos estão mudando os requisitos de entrada com pouca notificação aos viajantes ou coordenação com seus parceiros comerciais. Essa incerteza destrói a demanda. Dez por cento da economia global é sustentada por viagens e turismo; os governos precisam fazer melhor para retomá-los”, disse de Juniac.

O pré-requisito para abrir fronteiras faz parte das orientações do Take-off guidance da OACI. Além disso, a Iata está propondo bolhas de viagens para mitigar riscos entre mercados específicos e prevê um uso muito mais amplo e estratégico dos testes de Covid-19 à medida que a tecnologia melhora a precisão, velocidade e escalabilidade. A Iata propõe um plano de ação de três pontos para os governos reabrirem com segurança as fronteiras da seguinte forma:

1. Implementar as orientações do Take-off guidance da OACI universalmente.

2. Aproveitar o trabalho sólido da Força-Tarefa de Recuperação de Aviação (CART) do Conselho da OACI, desenvolvendo uma estrutura comum acordada para os estados usarem na coordenação da reabertura segura de suas fronteiras para a aviação.

3. Desenvolver medidas de teste de Covid-19 que permitirão a reabertura de fronteiras, reduzindo o risco de importação da Covid-19 em um nível aceitável para as autoridades de saúde pública com precisão, velocidade e escalabilidade que também atendam aos requisitos rigorosos para incorporação no processo de viagem.

Medidas de alívio

Muitas companhias aéreas não terão meios financeiros para sobreviver a uma paralisação por tempo indeterminado que, para muitas, já ultrapassa seis meses. Nestes tempos extraordinários, os governos precisarão continuar com medidas financeiras e outras medidas de alívio na medida do possível. É um investimento sólido na recuperação porque cada emprego salvo em uma companhia aérea apoia outros 24 na economia como um todo. E uma indústria de aviação em funcionamento será um vetor fundamental para que as economias recuperem seu poder total”, disse de Juniac.

A Iata pede aos governos que concentrem as medidas de ajuda em duas áreas:

  • Alívio financeiro: enfrentando uma perda na indústria de US$ 84,3 bilhões este ano, um corte de 50% nas receitas e altos custos fixos para manter aeronaves e mão de obra, a viabilidade financeira de muitas companhias aéreas está em xeque. A ajuda do governo tem sido uma tábua de salvação importante. Mas o alívio oferecido está se esgotando rapidamente. As medidas do governo para fornecer reservas financeiras adicionais contra falências serão críticas e não devem aumentar os níveis de dívida já altos.
  • Auxílio regulatório: O auxílio regulatório mais urgente é uma isenção global da regra de slot 80-20 “use-it-or-lose-it”. A grande incerteza do mercado significa que as companhias aéreas precisam de flexibilidade para ajustar os cronogramas para atender à demanda sem a pressão de serem penalizadas por não usar os slots alocados. As companhias aéreas não podem se dar ao luxo de voar aviões vazios quando a demanda do mercado cai. Da mesma forma, elas não podem deixar de obter receita quando as oportunidades surgem.

Muitos governos, incluindo China, Brasil, México, Cingapura, Austrália e Nova Zelândia concederam isenções para a temporada de verão de 2020 (outubro de 2020 a março de 2021), reconhecendo as severas restrições nos cronogramas de planejamento durante este período de extrema interrupção.